Na prática, o Brasil está ficando para trás e a população sofre com ameaças e riscos à saúde por causa do diesel.
O Brasil está ficando para trás, porque o mundo inteiro já está limpando o diesel há muito tempo. O Brasil vem em um jogo de empurra, de adiamento e de mudanças de opinião de autoridades. É impressionante essa história.
Isso já devia estar resolvido há muito tempo. A primeira resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que mandou reduzir os poluentes, foi de 2002. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) tinha que especificar o combustível para cumprir a resolução e demorou cinco anos para fazer isso.
A ANP deu prazo até janeiro de 2009, para que a Petrobras produzisse o diesel com 50 partes de enxofre por milhão e que as montadoras produzissem carros com motores novos que possam tirar o melhor proveito desse diesel.
Todo mundo adiou as medidas. A procuradora da reportagem entrou na Justiça contra as montadoras e a Petrobrás e disse, na época, que exigiria o cumprimento da resolução. Ontem, ela me disse que foi derrotada na Justiça e que, por isso, fez o acordo.
Pelo acordo, as montadoras têm mais três anos para produzir carros preparados para tirar o máximo do novo diesel. Detalhe: essas mesmas já produzem esses carros com motores novos na Europa, nos Estados Unidos e no México.
Nas principais capitais, a Petrobras venderá o diesel limpo apenas para as frotas de ônibus. Mas os carros, mesmo os que estão saindo agora da fábrica, serão entregues com os motores antigos e mais poluentes.
No resto do Brasil, o diesel vendido, pelo acordo, será, até 2012 e 2013, de 1,8 mil partes de enxofre por milhão. No mundo desenvolvido, já se usa diesel com 10 ou 5 partes de enxofre por milhão. O Brasil continuará respirando veneno.
Por: Miriam Leitão
Fonte: http://colunas.bomdiabrasil.globo.com/miriamleitao/2008/12/02/brasil-continuara-respirando-veneno/
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