sexta-feira, 13 de maio de 2022

Poluição das águas e contaminação de peixes no Rio São Francisco

Pesquisadores durante Expedição Científica no Velho Chico - Foto: Arquivo/Expedição

O relatório final sobre a 4ª edição da Expedição Científica do Rio São Francisco, promovida pela Ufal (Universidade Federal de Alagoas), foi concluído no final do mês de Abril de 2022. A expedição foi realizada entre os dias 01 e 10 de novembro de 2021 e percorreu as cidades de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São Brás, Igreja Nova, Porto Real do Colégio e Penedo, no Estado de Alagoas, e Propriá, Neópolis e Brejo Grande, em Sergipe.

Durante a expedição, 66 pesquisadores de 24 instituições de ensino parceiras do projeto percorreram as águas do Velho Chico de Piranhas, Sertão de Alagoas, até a foz entre Piaçabuçu (AL) e Brejo Grande (SE).

O deslocamento dos pesquisadores foi feito em dois grandes barcos, utilizados também como alojamento e como laboratório para a agilizar a realização das análises do material coletado ao longo do trajeto, como amostras da água, da fauna e da flora ribeirinha.

O relatório final da expedição constata que o incremento de vazões maiores no leito do rio a partir de 2020, contribuiu para uma pequena recuperação da Bacia do São Francisco, isso após o rio passar por períodos críticos de estiagem e diminuição de vazões entre os anos de 2013 e 2018.

As alterações de vazões geram impactos positivos e negativos sobre a Bacia do São Francisco em Alagoas, conclui o relatório, composto por 28 capítulos e 600 páginas, detalhando a situação do rio.
O relatório final, que vai virar um livro, já está sendo preparado, abordando temas relacionados aos aspectos da pesquisa.

Resultados

Em relação à contaminação das águas do Rio São Francisco, o relatório aponta para um elevado índice de coliformes fecais detectados no leito do Velho Chico, mesmo com o aumento da vazão em 2020 e 2021, além da contaminação de algumas espécies de elevado nível trófico na cadeia alimentar do ecossistema do rio por metais pesados, a exemplo do mercúrio.

Expedição Científica no Rio São Francisco. Foto: reprodução

As pesquisas e análises também, constataram a presença de pesticidas na água, identificando 14 tipos diferentes do produto dentre os 31 tipos avaliados. Dentre os compostos identificados, três foram classificados como extremamente tóxico, seis foram classificados como altamente tóxico e cinco, como grau médio de toxidade.

Em relação à fauna ribeirinha, os pesquisadores identificaram que mais de 60% das capturas de peixes feitas pelos pescadores ribeirinhos é composta por apenas duas espécies, ambas de baixo valor econômico. A boa notícia é que foram encontradas mais espécies de pescado, das quais, estão em estudos duas espécies de peixes que possivelmente seriam novas na região.

A expedição científica também detectou a presença altos níveis de salinidade na água, além da fragmentação das áreas de mata ciliar que margeia o Velho Chico e baixa fertilidade do solo, também com alta concentração de sal em sua composição.

Em relação à histopatologia, termo utilizado para identificar como uma doença específica afeta um conjunto de células, o diagnóstico histopatológico mostrou que em 100% das amostras analisadas durante o período da expedição, os peixes possuíam algum tipo de alteração patológica, seja no fígado ou nas brânquias.

Já sobre a genotoxicidade, capacidade que algumas substâncias têm de induzir alterações no material genético de organismos a elas expostos, provocando o surgimento de cânceres e doenças hereditárias, os maiores níveis de anormalidades celulares e estresse foram encontrados nos municípios de Piranhas e Penedo;

O relatório também aponta que, com as constantes mudanças nas vazões e despejos indiscriminados de efluentes domésticos, o ambiente sofre enormes consequências com o surgimento de cianobactérias potencialmente tóxicas e florações de dinoflagelados e aumento significativo de algas verdes filamentosas;

Sobre a fauna ribeirinha, foram encontradas cerca de 50 espécies de aves e mamíferos no Baixo São Francisco durante a expedição.

Educação Ambiental

Trecho da cartilha sobre o plástico nos oceanos. Foto: reprodução

Além de participarem da elaboração do relatório, pesquisadores expedicionários lançaram também duas cartilhas educativas: uma delas sobre o perigo dos plásticos nos oceanos, e a outra, sobre as boas práticas de manipulação de pescado para feirantes. Mais informações sobre as publicações podem ser acessadas através do perfil no instagram @expedicao_saofrancisco através do link: https://www.instagram.com/reel...

Trecho de cartilha sobre as boas práticas de manipulação de pescado. Foto: reprodução

Segundo o professor Emerson Soares, as cartilhas tratam de dois temas fundamentais ao meio ambiente e à saúde pública: o uso de plásticos e o manejo de pescado; e foram viabilizadas através da parceria com a @semarhal (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piauí.

A cartilha “Plásticos: perigo nos rios e oceanos”, que tem como público-alvo estudantes da rede pública dos municípios ribeirinhos e pescadores da região. Ela aborda, de maneira didática e com uma linguagem simples, o quanto o uso de plásticos e o descarte incorreto dos mesmos prejudicam o meio ambiente, poluem as águas e trazem consequências danosas também à saúde humana, por meio dos microplásticos.

Vanildo Oliveira, engenheiro de pesca, expedicionário e professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), é o autor do conteúdo e explica a importância da temática: “Estamos na Década do Oceano, que surgiu da necessidade mundial de cuidar da saúde oceânica. O Rio São Francisco tem um grande aporte para o Oceano Atlântico, então nosso objetivo é conscientizar a população que o rio, fonte de vida e sustento para tantas pessoas, não é um depósito de lixo. Estamos apostando na conscientização, na mudança de paradigma, que as pessoas cuidem dos rios e, consequentemente dos oceanos, deixando-os saudáveis e permitindo que as espécies reproduzam e forneçam alimento sadio para a população”, esclarece.

domingo, 8 de maio de 2022

sábado, 7 de maio de 2022

É calçando ruas e jogando merda para o leito do Rio Pajeú.


“Com a câmera de um drone teríamos a dimensão desse descaso da população e saúde pública do município. Isso não é privilégio de um bairro, é a mais democrática negligência que já vi em uma cidade. Some-se a isso redes de esgotos a céu aberto, falta de tratamento de esgotamento sanitário. É calçando ruas e jogando merda para outros locais, incluindo leito do Rio Pajeú. É a contribuição dos serviços públicos e da população para produzir mais doenças e destruir do meio ambiente”, explicou Nunes.




O colunista do Farol de Notícias, Édson Nunes, fez uma denuncia ‘bombástica’ que revela o descaso da Vigilância Sanitária no bairro Bom Jesus, em Serra Talhada - PE, que parece ignorar a existência do mosquito Aedes Aegypti. Ele provoca o órgão a montar uma ‘força tarefa’ no bairro, que está repleto de caixas d’águas abertas. O caso foi registrado na Rua José Dias da Silva.


Fonte: https://faroldenoticias.com.br/

Riacho do Navio corre pro Pajeú.



Uma viagem poética de Agostinho aos dias atuais.

Por: João Luckwu - Poeta serra-talhadense.

Fotos: Celso García/Farol – Max Rodrigues
O “Momento Poético” parabeniza hoje nossa querida Serra Talhada que completa 171 anos de emancipação política. Principal município do Sertão do Pajeú, nossa cidade é conhecida nacionalmente como a “Capital do Xaxado”. Terra de Agamenon Magalhães, Virgulino Ferreira – O Lampião, Arnaud Rodrigues dentre tantos outros personagens que marcaram a história. Parafraseando o poeta Chico Luckwu eu diria que Serra Talhada é o berço da cultura, dos poetas, cangaço e coronéis.

A pequena Vila Bela foi erguida às margens da imponente serra que foi cortada a prumo por obra da natureza e que posteriormente deu nome à cidade de Serra Talhada. Assim descreve o poeta Simplício Lira-Pio:

“Escarpas abruptas talham nossa serra
Fragas esculpidas pela natureza
Usando os cinzéis com tanta destreza
Que a mão do escultor, precisa, não erra
Desta cordilheira uma finisterra
Com apoteose de um lado encerrar.
A serra talhada dá nome ao lugar,
Açude e planalto é o borborema,
A nossa caatinga o ecossistema
Nos dez de galope distante do mar”.

Já poeta Ivanildo Salvador expressou dessa forma:

(….)

“Vila, bela serra à sua frente
Vila, bela serra imponente
Serra, bela e majestosa
Com a qual a natureza foi tão generosa”.

A nascente do Rio Pajeú é conhecida como o berço da poesia popular e rio abaixo pela correnteza das águas essa verve chega até nossa cidade aflorando uma reluzente inspiração poética.

Relembrando a infância vivida no rio Pajeú, retrata o poeta Rui Grúdi:

“Fui um menino sapeca
do vale do Pajeú
nas caçadas de peteca
e nas roubadas de caju
Nos meus banhos de costume
subia para o curtume
nadava feito um delfim
nas pedras ralando o couro
aquilo foi um tesouro
Que o tempo roubou de mim”

(….)

No mesmo sentido segue o poeta Jesus Martins:

(….)

“Comecei a recordar
A Serra da minha infância
A talha da natureza
Uma forte correnteza
Carregando eu e tu
E o meu Pajeú que lindo
Menino rindo correndo nu
O rio Pajeú vem vindo
Menino rindo correndo nu”

O poeta João do Serrote Preto foi de uma felicidade ímpar neste sonho:

“Tive um sonho e voltei pro meu torrão
Revivi toda minha adolescência
Fui ao CIST e senti a efervescência
Das tertúlias e bailes de salão
Vi Nogueira dar “Sil” no Batukão
Fui até o curtume tomar banho
Encontrei meninada de rebanho
A correr pela areia em alarido
Acordei e fiquei entristecido
Com saudade em meu peito sem tamanho”

Serra Talhada é a segunda cidade mais importante do Sertão de Pernambuco e o principal município do Sertão do Pajeú, possuindo uma infraestrutura e localização privilegiadas, tornou-se um polo de desenvolvimento nas áreas de comércio, saúde, educação e cultura.

Assim descreveu o poeta Henrique Brandão:

“Um oásis no sertão
Cheio de oportunidades
Assim é Serra Talhada
Com suas diversidades
De cultura exuberante
De um povo cativante
Bonita por natureza
Sua localização
Bem no centro do sertão
É sinônimo de riqueza

No centro de Pernambuco
Aproxima quatro estados
Vizinha da Paraíba
Ceará fica do lado
Próxima também da Bahia
Até a geografia
Abençoou nosso chão
Muito bem localizada
Por isso Serra Talhada
É potência no sertão

Desde a sua criação
Que o comércio predomina
Uma fazenda de gado
Numa área de campina
Se tornou um expoente
Onde o seu povo valente
Tem vocação pro futuro
Terra de um povo brilhante
Que enxerga bem adiante
E investe forte e seguro

Oitocentas mil pessoas
Direta e indiretamente
Consomem algum produto
Ou serviço dessa gente
Nosso comércio é pujante
E em evolução constante
Tem muito potencial
Cada dia que amanhece
Serra Talhada só cresce
E isso é muito especial

Quarto maior polo médico
Polo educacional
Temos grandes faculdades
E um campus federal
E pra apoiar quem cresce
Temos o sistema S
Focado na formação
De uma mão-de-obra ativa
E torna mais competitiva
Esse oásis do sertão”.

(…)

Nossa Senhora da Penha é a padroeira da cidade e uma tradição é mantida há mais de dois séculos. A festa da padroeira, mais conhecida por festa de setembro, ganhou um status comercial com apresentações culturais, parques de diversões, praça de alimentação com bebidas e comidas típicas, porém sem perder o caráter religioso com celebrações de novenas na igreja matriz, encerrando com a procissão da bandeira de Nossa Senhora da Penha, que arrasta uma multidão de fiéis pelas ruas da cidade numa demonstração de fé e devoção.

Desse modo define o poeta Ferreira Júnior:

“Forte é a fé católica
E muita gente se empenha
Da cidade é padroeira
Nossa Senhora da Penha
Em setembro é sua festa
Ficando a cidade aberta
A qualquer que a ela venha”

Na mesma trilha segue o poeta Amaurílio Sousa:

“Olhando Serra Talhada
Vislumbro a igreja Matriz
A fé que a força condiz
Com essa gente abençoada
Padroeira imaculada
Da princesa do sertão
Segue firme em devoção
Nossa Senhora da Penha
Dadivosa se mantenha
Em nossa intercessão”

O hino oficial de Serra Talhada foi composto com letra da professora Anália Rocha e melodia do maestro Luiz Benjamim e traz uma sensibilidade poética em sua essência:

Rosa do Sertão rude e agreste
Perdida no seio do Nordeste
À margem arenosa do rio Pajeú
Entre a flor singela do mandacaru.

Qual um novo oásis florescente
Do nosso sertão vasto e ardente
Todo viandante abriga a cidade
E dás confiança, carinho e amizade.

És ó Vila, pequenina, porém bela!
Junto ao rio que te beija com ardor
Destas plagas sertanejas, agreste flor.

E à luz do sol tropical
De princesa do Sertão tens o título real;
Vila Bela, ó querida Vila Bela!
Branco ninho de verduras engastadas
Ao sopé da rude Serra Talhada
Do granito do sertão.

E de Pernambuco és
Certamente o coração!
E de Pernambuco és
Certamente o coração!

Na canção “Vila Bela” o magistral Arnaud Rodrigues declama um amor sublime pela terra natal:

“Serra bela vila é a vila bela
Ontem vila e hoje serra
Talhada pela natureza é a nossa serra
Ontem vila e hoje bela

E as poucas luzes se acenderam
E eu vi você
Gotas caíram dos meus olhos
Por ver você
De manhã o sol rasgou o céu
E eu fui vendo tudo que era meu

Grandes corações todos abertos
Risos de irmãos e amigos meus
Grandes casarões portas abertas
Onde se acredita mais em Deus

Na capela toca o sino som dominical”…

(….)

Faço minhas as palavras do poeta Rai de Serra quando canta o orgulho de ser serra-talhadense:

(….)

“Serra Talhada
Me orgulho sou privilegiado
Por ter nascido aqui
Na Capital do Xaxado”

Nesse contexto, retratei a história da nossa terra no poema intitulado SERRA TALHADA: De Agostinho aos dias atuais:

Quando outrora Agostinho aqui chegou
Encantado ficou com a paisagem
Pajeú deu suporte na estiagem
A raiz do progresso edificou
Pouco a pouco o comércio prosperou
Despertando essa estreita vocação
Comandando a ribeira e região
Povoado cresceu, abriu cancela
E surgiu para o mundo Vila Bela
Um oásis no meio do sertão

Alpercata fazendo estardalhaço
Num embalo envolvente e singular
Inovando no jeito de dançar
Cangaceiro e fuzil no mesmo enlaço
Pelas lutas marcantes do cangaço
Lampião como rei foi coroado
E na dança aqui deixa seu legado
Um bailado aguerrido e imponente
Nossa terra ostentando uma patente
Capital brasileira do xaxado

Na política ergueu grande influência
Governando o estado Agamenon
Em Brasília Inocêncio “dando o tom”
Interino assumiu a presidência
No passado houve forte interferência
Do poder demarcando a trajetória
Eleitor sem nenhuma escapatória
Tão somente cumpria seu papel
O “chicote”, o “cabresto” e o “coronel”
Referências marcantes dessa história

E na arte eclodiu rompeu fronteiras
Na TV Arnaud ganha projeção
Marcolino, Rui Grúdi e Assisão
E o forró foi soltando as estribeiras
Na leveza de moças bem faceiras
Passarelas pro mundo descortina
Despertando este sonho de menina
O “glamour” se instalou pela cidade
Um legado ficou pra eternidade
Campeã da beleza feminina

Nos tapetes gramados do sertão
Majestoso reinou “Comercial”
Torcedor do “Serrano” em alto astral
“Ru! Ru! Ru!” a causar grande emoção
O “Ferrim” foi primeiro campeão
Veio o “Serra” alcançando nova glória
Na derrota, no empate ou na vitória
Futebol é paixão que contagia
“Pereirão” aos domingos que alegria
São lembranças guardadas na memória

A ciência se impõe com autonomia
Faculdades e cursos mais diversos
O ensino sem cunhos controversos
Trouxe a luz que encandece e irradia
Medicina, Direito, Engenharia
São pilares da nossa educação
Construindo um futuro em ascensão
Insciência faz parte do passado
O saber aqui foi consolidado
Transformando indivíduo em cidadão

Lá do alto na Praça da Matriz
Virgem Penha conduz a procissão
Em setembro cumprindo a devoção
Nossa fé pela Santa se bendiz
Criançada a brincar, sorri feliz
Carrossel, “pula pula” é uma zoeira
A cerveja com bode e macaxeira
Tradição que é mantida entre os fiéis
Filarmônica em altos decibéis
Rege a festa da madre padroeira

Nossa gente é demais hospitaleira
Uma terra por Deus abençoada
Quem visita tão logo faz morada
Externando a paixão mais verdadeira
Degustar manguzá no “mei” da feira
“Tô na Concha” animando o carnaval
Josué deu seu nome ao “Bar Central”
Fez do caldo uma marca registrada
Vem pra cá conhecer Serra Talhada
Recebendo esse abraço fraternal

E do cume da pedra do cruzeiro
Se contempla a grandeza da cidade
Que se espalha em total prosperidade
Se tornando um caminho alvissareiro
Agradece o torrão pajeuzeiro
Pela luz que emana deste chão
Qual arpejo entoando uma canção
Nossa terra traduz porto seguro
O sertão abre as portas pro futuro
E o futuro abre as portas pro sertão

Erigida tu foste ao pé da serra
De entalhes com nobre arquitetura
Esculpidos por obra da natura
Inspirando o batismo desta terra
A bravura que ao tempo se descerra
Te elevou a tornar-se emancipada
Uma história no tempo demarcada
Averbada em registro por chancela
No princípio tu foste Vila Bela
No presente tu és Serra Talhada

Fonte: https://faroldenoticias.com.br/